domingo, 31 de maio de 2009

“Ninguém aguenta uma pessoa delirante dentro de casa”


Um dos maiores críticos da falta de vagas para internação psiquiátrica, o poeta Ferreira Gullar conta a ÉPOCA a experiência de ter convivido com dois filhos esquizofrênicos - o que ainda está vivo mora hoje num sítio em Pernambuco.
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O poeta Ferreira Gullar, 78 anos, teve dois filhos com esquizofrenia. Paulo, 50 anos, vive num sítio em Pernambuco há cinco. Marcos, que tinha um quadro mais leve da doença, morreu em 1992, de cirrose hepática. Recentemente, Gullar escreveu três artigos no jornal Folha de S. Paulo sobre a falta de vagas para internação psiquiátrica. A reação dos leitores chamou atenção para uma das maiores controvérsias da psiquiatria: o que fazer com doentes mentais em estado grave? Gullar concedeu a seguinte entrevista a ÉPOCA em seu apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro (confira ao final desta página um vídeo com trechos da conversa).
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ÉPOCA - A lei federal 10.216, aprovada em 2001, não proíbe a internação de pacientes em hospitais psiquiátricos, mas estimulou a redução de leitos. Por que decidiu falar sobre essa lei agora?
Ferreira Gullar - Antes da aprovação da lei, soube do que consistia o primeiro projeto. Para internar uma pessoa, a família precisaria pedir autorização de um juiz. Felizmente isso foi retirado do texto final. Imagine o que é ter em casa um garoto em estado delirante - às vezes falando sem parar da noite até o dia seguinte. Os pais tentam dar remédio, tentam conversar e nada funciona. Nessa situação, o único recurso é internar. Você sente que a pessoa está saindo do controle e pode fazer uma loucura qualquer. Imagine ter de aguardar autorização de um juiz para internar um paciente numa situação de emergência. Que juiz? Aquele que nunca encontramos na justiça eficiente que temos? Imagine o desastre que isso seria.
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ÉPOCA - Mas por que decidiu escrever neste momento?
Gullar - Li notícias recentes sobre o aumento de doentes mentais na população de rua. Eu já previa que isso ia acontecer diante da restrição do número de hospitais e do período de internação. Como é possível estabelecer um período de internação, determinar que um paciente psiquiátrico esteja curado dentro de determinado tempo? Quem não tem dinheiro para colocar o filho numa clínica particular fica com ele em casa até quando suportar. Muitas vezes o doente foge. Quantas vezes isso aconteceu comigo... Ele foge, vai para rua sem rumo. Ninguém sabe para onde vai.
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ÉPOCA - O doente precisa ficar vigiado dentro de casa?
Gullar - Ninguém aguenta uma pessoa em estado de delírio dentro de casa. Só se ninguém trabalhar, todo mundo ficar em volta do doente. E se for uma pessoa agressiva? Tem que internar. Nenhum pai e nenhuma mãe internam seus filhos contentes da vida, achando que se livraram. Não estou dizendo que a lei foi feita para perseguir as pessoas. Não vou imaginar uma coisa dessas. Ela foi feita com boa intenção. Mas de boa intenção o inferno está cheio.
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ÉPOCA - O senhor acha que a internação em hospitais psiquiátricos é o melhor tratamento? Gullar - Ninguém é a favor de manicômio ou de encerrar uma pessoa pelo resto da vida. Isso não existe há muito tempo. Mas hoje as famílias sem recursos não têm onde pôr seus filhos. Eles vão para a rua. São mendigos loucos, mendigos delirantes. Podem agredir alguém. É imprevisível o que pode acontecer. O Ministério da Saúde tem de olhar isso. O hospital-dia é uma boa coisa. Mas para o doente ir para o hospital-dia ele tem que querer ir. Quando entra em surto, é evidente que não vai querer ir para o hospital-dia. Dizer que os doentes serão encarcerados é terrorismo.
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ÉPOCA - Qual a sua opinião sobre a visão do movimento de luta antimanicomial?
Gullar - Esse pessoal não diz explicitamente, mas eu sei que para eles não existe doença mental. Por que falam em psiquiatria democrática? Existe urologia democrática? A psiquiatria democrática pressupõe que as pessoas internam seus parentes para cercear a liberdade deles. Segundo essa linha, o cara não é doido. Ele é um dissidente. Isso vem da época das drogas, da época dos Beatles, da época em que as pessoas diziam “tu tá pinel”. O que era isso? A classe média cheirava cocaína e ia parar no Pinel. Não eram doidos. Mas, levada a uma overdose, a pessoa pode entrar num estado de delírio. Esse pessoal acha que a máfia de branco cerceia a liberdade das pessoas. Pessoas que são dissidentes da sociedade burguesa. A psiquiatria democrática considera que a sociedade é que é doente e reprime aqueles que discordam dela.
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ÉPOCA - Por que o sr. diz que isso é um marxismo equivocado?
Gullar - A raiz ideológica da psiquiatria democrática é a ideia de que não existe doença. A sociedade é que é culpada porque é burguesa. Quando eu estava exilado em Buenos Aires, nos anos 70, fui conversar com os médicos no hospital onde meu filho Paulo (hoje com 50 anos) havia sido internado depois de um surto. Uma médica veio conversar comigo e disse que o problema não era do meu filho. Era da família e da sociedade. Disse para ela: então me interna.
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ÉPOCA - Paulo estava com você no exílio?
Gullar - Nessa época, sim. Um dia ele teve um surto e sumiu. Foi encontrado em estado totalmente delirante e foi internado. A médica chamou a mim e a minha mulher para conversar. Eu disse: coração adoece, rim adoece sem que a sociedade seja culpada de nada. O cérebro é o único órgão que não adoece por si? A sra. não acha que uma pessoa pode nascer com uma deficiência fisiológica no cérebro? O que está por trás de tudo isso é uma visão equivocada.
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ÉPOCA - Quando seus filhos receberam o diagnóstico de esquizofrenia?
Gullar - Os dois começaram a falar disparates e a se comportar de maneira anormal. Isso se manifestou quando tinham 15 ou 16 anos. A doença foi precipitada pela droga. Era um período que cheirar cocaína, fumar maconha e consumir LSD estavam na moda. Surgiram anormalidades, mas eu não fiz nada. Atribuía o comportamento deles às drogas.
(Fonte: 29/05/2009, http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca, por Cristiane Segatto)

"Dói internar um filho. Às vezes não há outro jeito"

O poeta Ferreira Gullar, pai de dois esquizofrênicos, levanta uma das maiores controvérsias da psiquiatria: o que fazer com doentes mentais em estado grave?
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Quando o escritor Ferreira Gullar publicou em 1999 o poema “Internação”:
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Ele entrava em surto
E o pai o levava de
carro para a clínica
ali no Humaitá numa
tarde atravessada
de brisas e falou
(depois de meses
trancado no fundo
escuro de sua alma)
pai, o vento no rosto
é sonho, sabia?
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Já era um veterano na convivência com doentes mentais. Quem fez a observação sobre o vento foi Paulo, seu filho mais velho, que hoje tem 50 anos. Ele sofre de esquizofrenia, doença caracterizada, entre outras coisas, por dificuldade em distinguir o real do imaginado. Desde os anos 70, Gullar tenta administrar a moléstia. Fazia o mesmo com Marcos, o filho dois anos mais jovem, que também tinha esquizofrenia e morreu de cirrose hepática em 1992. Remédios modernos permitem que pessoas como Paulo passem longos períodos em estado praticamente normal. Sem alucinações, sem agitação, sem agressividade. Mas o tratamento só funciona se o doente tomar os medicamentos antipsicóticos todos os dias e na dose certa. Isso nem sempre acontece. O resultado são os surtos, quando o paciente se torna quase incontrolável. Pode cometer suicídio ou agredir quem está por perto. Nesses momentos, esses doentes costumam precisar de internação. “Dói ter de internar um filho”, diz Gullar, hoje com 78 anos. “Às vezes, não há outro jeito.”
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No Brasil, estima-se que haja 17 milhões de pessoas com algum transtorno mental grave – como esquizofrenia, depressão, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo. Em algum momento, eles podem precisar de um hospital psiquiátrico. Encontrar uma vaga, porém, tornou-se uma tarefa difícil.
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Nos últimos 20 anos, quase 70% dos leitos psiquiátricos do país foram fechados. Sem conseguir quem os ajude a cuidar dos doentes, pais e irmãos afirmam ter várias dimensões de sua vida pessoal comprometidas, dos compromissos de trabalho às amizades. É o que revela uma pesquisa feita em 2006 em Minas Gerais com 150 famílias com pessoas atendidas nos Centros de Referência em Saúde Mental. Em muitos casos, os doentes em surto fogem sem deixar rastro. Podem acabar embaixo dos viadutos. O aumento da população de rua nas grandes cidades não é fruto exclusivo da desigualdade social. Uma pesquisa feita em 1999 com moradores de rua em Juiz de Fora conclui que 10% deles eram psicóticos sem assistência.
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“As famílias, principalmente as que não têm recursos, não têm mais onde pôr seus filhos”, diz Gullar. “Eles viram mendigos loucos, mendigos delirantes que podem agredir alguém. O Ministério da Saúde tem de olhar para isso.” Gullar decidiu expor publicamente um problema que não é só seu. Nas últimas semanas, escreveu três artigos sobre o assunto em sua coluna no jornal Folha de S.Paulo. “Não pretendo liderar movimento algum. Sou um cidadão que tem uma tribuna e pode falar sobre o que está errado.”
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Ele afirmou, no primeiro texto, que a campanha contra a internação de doentes mentais é uma forma de demagogia. Foi o suficiente para fazer eclodir uma controvérsia latente. Nos dias seguintes, dezenas de leitores enviaram cartas ao jornal. Representavam dois grupos. O primeiro, em apoio a Gullar, aponta as razões fisiológicas da doença mental e considera que a internação é um instrumento necessário nos momentos de surto.
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O segundo, contra ele, afirma que os doentes devem ser atendidos em Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Nesses locais, o paciente recebe medicação e acompanhamento semanal. A ideia é atendê-lo sem retirá-lo do convívio da família e da comunidade. Para esse grupo, mesmo nos momentos de crise, o doente deve ser atendido nos Caps. Ele passaria alguns dias internado na própria instituição (ou em hospitais comuns, com alas psiquiátricas) e depois voltaria para casa. “O hospital é um lugar de isolamento, funciona como uma prisão. As pessoas vão e não voltam”, diz Humberto Verona, presidente do Conselho Federal de Psicologia. “Algumas famílias querem que a pessoa fique internada. É a ideia da instituição como depósito.”
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Gullar se ofende com comentários como esse, que ouve desde o final dos anos 80, quando a reforma psiquiátrica que levou à situação atual começou a ser discutida no Brasil. “Essas pessoas não sabem o que é conviver com esquizofrênicos, que muitas vezes ameaçam se matar ou matar alguém. Elas têm a audácia de fingir que amam mais a meus filhos do que eu.”
(Fonte: 30/05/2009 , http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca, por Cristiane Segatto, Ivan Martins, Andres Vera, Marcela Buscato e Mariana Sanches)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Doença Bipolar: o que é?

A Doença Bipolar, ou Doença Maníaco-Depressiva, é uma doença psiquiátrica que se caracteriza por alterações acentuadas do humor, nas quais o doente alterna entre estados de depressão e euforia (mania). Distúrbio complexo, afecta cerca de 1,5 por cento da população mundial. Apesar das variações de cada quadro clínico, a sua sintomatologia é consistente, permitindo um diagnóstico seguro.
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A fase maníaca (eufórica) pode durar de dias a meses e caracteriza-se pelos seguintes sintomas:
  • Aumento do estado de ânimo: hiperactividade, aumento da energia, falta de autocontrolo;

  • Auto-estima elevada (pensamentos de grandeza, crenças falsas em habilidades especiais, aumento do amor próprio);

  • Compromiso exagerado nas actividades;

  • Aumento de interesse em diversas actividades: gastos exagerados, consumo excessivo de comida, bebida ou consumo de drogas;

  • Promiscuidade sexual; deterioração do julgamento;

  • Tendência para a distracção;

  • Pouca necessidade de dormir;

  • Irritação fácil; e

  • Pouco controlo do temperamento.
Estes sintomas observam-se sobretudo nos doentes de Transtorno Bipolar I.
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Nas pessoas com Transtorno Bipolar II, o estado de humor prevalecente é o da Depressão. A Depressão, quer no Transtorno I quer no II, inclui sintomas graves tais como:
  • Tristeza permanente;

  • Sentimento de desespero, inutilidade e culpa excessiva;

  • Apatia;

  • Sonolência excessiva ou incapacidade de dormir;

  • Perda de apetite e de peso/ consumo exagerado de alimentos e aumento de peso;

  • Pensamentos frequentes sobre a morte;

  • Dificuldade de concentração, de memorização e de toma de decisões;

  • Isolamento;

  • Fadiga; e

  • Perda da auto-estima.
Estas alterações de humor condicionam todas as emoções e comportamentos do indivíduo, levando a uma significativa perda de saúde e da autonomia da personalidade. Há vários factores que predispõem para a doença, nomeadamente genéticos, biológicos e ambientais.
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Os factores genéticos têm um papel essencial mas, por outro lado, o tipo de personalidade e o ambiente em que a pessoa vive condicionam também o desencadeamento das crises. Não há nenhum tratamento que cure a doença na totalidade. Ela pode, porém, ser controlada através de medicamentos estabilizadores do humor, tais como o Carbonato de lítio, o Valproato e a Carbamazepina . As crises depressivas tratam-se com antidepressivos ou, em casos resistentes, a convusioterapia. As crises de mania tratam-se com os estabilizadores do humor acima referidos e com os antipsicóticos. O apoio psicológico individual e familiar é, além disso, um complemento indispensável para o tratamento.
(Fonte: Notícias de Viseu - Viseu - Portugal, www.noticiasdeviseu.com)

A questionada organização da loucura

A atual lei antimanicomial, prevê o fechamento dos hospitais psiquiátricos desde 2001, mas essa mudança implica em muitos questionamentos
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Em 2001 foi sancionada no Brasil a lei da Reforma Psiquiátrica que visava o fim dos ‘manicômios’. O objetivo era a desospitalização substituindo a internação por outros sistemas de tratamento mental. Em Umuarama há um hospital, porém muitos da região e do país tiveram suas portas fechadas.
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Esse fechamento implicou em muitos questionamentos. Em algumas cidades, por exemplo, uma vez o hospital fechado muitos doentes mentais tornaram-se mendigos e atualmente vivem em condições de miséria, dormindo sob viadutos. Há os familiares que não têm condições de cuidar de uma pessoa em estado de surto psicótico, e os que abandonam os doentes esquecendo-os nos hospitais públicos, encarcerados por anos. Situação que a lei não permite, mas ainda existe no Brasil, segundo uma declaração feita pelo presidente da Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme), Walter de Oliveira.
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Segundo a lei, um indivíduo pode ser hospitalizado de forma voluntária, involuntária ou compulsória, que é quando há intervenção da Justiça em julgamento. Um ponto de tensão nesse assunto é a periculosidade do doente. Para a justiça, se ele comete atos inumanos consigo mesmo, ele não é uma pessoa perigosa, mas se ele tenta matar outras pessoas, sim. Deste modo, quem muito sofre são os pais.
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Nos Estados Unidos da América (EUA) uma pessoa só pode ser internada voluntariamente, ou seja, se ela assinar. Porém, muitos psicóticos não assumem a doença e se consideram normais, onde a internação seria desnecessária e deste modo, impossível. Assim, o pai não pode advogar por seu filho, ainda que este faça coisas que o processe perante a justiça. Desde que houve a Reforma Psiquiátrica no Brasil – e que ainda está ocorrendo – tiveram de ser criados outros sistemas ambulatoriais, como o Centro de Atenção Psicossocial (Caps), o Hospital Dia e as internações passaram – pelo menos em tese – a ocorrer em hospitais gerais. Porém, como atender um paciente em surto psicótico em um hospital geral? É essa a pergunta que o psiquiatra e psicoterapeuta Sebastião Maurício Bianco evidencia.
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Tomando como exemplo Umuarama, ele afirma que o problema dessa lei é ela ter sido criada sem uma política universalizada de substituição. Umuarama não possui Caps, que é responsável por atendimentos “mais leves” e que recebe investimento federal. A cidade, além da Comunidade Terapêutica Santa Cruz, possui a Assistência Psicossocial de Umuarama (Apsu), constituída de 30 leitos desvinculados nos 150 do hospital Santa Cruz após a lei vigorada. Bianco, que também é diretor clínico do Santa Cruz, afirma que os hospitais estão sendo extintos pois muitas vezes se tornam um “depósito humano”. Por isso atualmente o interno não pode ficar hospitalizado por mais de 130 dias e após a sua saída deveria ser encaminhado para as chamadas Residências Terapêuticas. Na casa o paciente ganha um salário mínimo do governo e é supervisionado por enfermeiras que o ajudarão na reentrada na sociedade. Mas esse sistema só é possível com a instalação do Caps, que não está funcionando no município. Ao contrario de Umuarama, o psiquiatra revelou que em cidades menores da região o Centro de Atenção está funcionando e realizando a continuação da terapia iniciada.
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No Hospital Santa Cruz, os pacientes fazem terapias ocupacionais, ajudam na limpeza do lugar, servem comida, trabalham com hortaliças, fazem pinturas, bordados, esportes e uma vez por semana é feita uma caminhada nas ruas para os que alcançaram melhorias. Também são desenvolvidas atividades culturais e festivas em datas especiais. Para os que tomam internação por playground, ainda há duras realidades no país que ilustram um triste caminho aos que afundaram no labirinto da inconsciência. Por outro lado, com o fechamento de muitos hospitais, muitos também terão de enfrentar sua loucura nas ruas, sem ninguém que os assuma e os leve para algum lugar seguro e de tranquilidade, a fim de achar uma cura certa, se é que ela existe. Em Umuarama, são poucos os encaminhados ao Santa Cruz por órgãos filantrópicos, os outros, perambulam pelas ruas ou, driblando a própria moléstia, continuam a labutar em serviços informais e muitas vezes sem o vislumbre de uma saída. Muitas vezes acreditam que não há nada de errado, já que não parece também haver nada de certo, senão sentir-se uma peça desencaixada da sociedade. Nesse sentido, a reabilitação oferecida pelos ambulatórios, tem sido a primeira política terapêutica capaz de substituir as internações.
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Causa de internações em Umuarama
Os três maiores motivos de internamento em Umuarama é o Transtorno Bipolar Clássico, Esquizofrenia e dependência de craque.
O Transtorno Bipolar pode ser compreendido, superficialmente, por uma pessoa dividida em dois pólos, onde ela oscila em pensamentos e atitudes maníaco depressivas.
Esquizofrenia, na sua tradução etimológica, quer dizer mente dividida. Divisão essa que é do mundo real e do mundo imaginário, sendo uma complicada doença na maioria das vezes com uma evolução ruim.
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As falhas e os acertos com a lei
Diferentemente da Apsu que é mantida pelo município, o Caps é atendido pela Autorização de Procedimentos Ambulatoriais de Alta Complexidade/Custo (Apac). Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o Caps de Umuarama foi criado no ano passado e já está inativo. O secretário Jorge Mauro Jardim ressaltou, que o ministério público mandava, no início, R$ 30 mil mensais. Hoje, uma vez que se recebe o que produziu, o valor da Apac não chega a cinco mil reais, congelando o investimento num valor improdutivo. O sistema necessitava de um médico psiquiatra, enfermeira especializada em Caps, enfermeiras assistentes, terapeutas ocupacionais e outros. No ano passado quem protagonizava esse sistema era apenas uma assistente social. A Apsu é um serviço ambulatorial, mas o Caps está mais definido como política terapêutica. Atualmente a Secretaria da Saúde faz um estudo de impacto financeiro para tentar reerguer o Caps, anulando a Apsu, pois.
(Fonte: Jornal Umuarama, terça-feira, 19 de Maio, 2009 - 10:09, cidade@ilustrado.com.br)