terça-feira, 16 de novembro de 2010

Ressonância magnética pode ajudar a identificar bipolaridade

Exame também pode ajudar no diagnóstico do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade

Pesquisadores apontam que o uso de exames cerebrais por imagem, para observar como o funcionamento da memória é influenciado pelas emoções, pode ajudar a identificar crianças que sofrem de transtorno bipolar ou do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

Diferenciar os dois transtornos baseando-se apenas em medidas comportamentais é tarefa difícil para os médicos. Porém, os pesquisadores da Universidade de Illinois, em Chicago, afirmam que as novas descobertas podem ajudar nos esforços para desenvolver exames de diagnósticos baseados tanto em marcadores neurológicos como em comportamentais.

No estudo foram utilizados exames de ressonância magnética funcional para observar as atividades cerebrais de crianças e jovens enquanto os mesmos realizavam tarefas de memória, ao mesmo tempo em que visualizavam rostos com diferentes emoções. Os participantes tinham entre 10 e 18 anos, sendo que 23 deles sofriam de transtorno bipolar, 14 de TDAH e 19 não apresentavam nenhum dos dois problemas. Os autores do estudo ressaltaram que aqueles que sofriam de um dos dois transtornos não estavam tomando medicação.

Segundo o relatório publicado na edição de outubro do Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, em comparação aos participantes do grupo de controle, aqueles que sofriam de um dos dois transtornos apresentaram disfunções no córtex pré-frontal - área que controla o comportamento (como a impulsividade), as funções executivas, a memória de trabalho, a atenção e a linguagem.

O estudo constatou que os participantes com TDAH foram os que apresentaram as disfunções mais severas no córtex pré-frontal, mas os que sofriam de transtorno bipolar apresentaram maiores deficiências em áreas cerebrais envolvidas no processamento e regulagem das emoções.

"Esperamos que, ao conseguir diferenciar melhor esses dois graves distúrbios comportamentais, possamos desenvolver diagnósticos mais precisos e tratamentos mais direcionados para o transtorno bipolar e o TDAH", disse em um release Alessandra Passarotti, professora assistente de psiquiatria na Universidade e principal autora do estudo. (FONTE: http://www.midianews.com.br/?pg=noticias&cat=7&idnot=35385)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Da euforia à ansiedade: como identificar os sintomas do transtorno bipolar?

Apesar de pouco conhecido, o transtorno atinge cerca de 10% da população (Por Sabrina Silveira http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/bem-estar/19,0,3083927,Da-euforia-a-ansiedade-como-identificar-os-sintomas-do-transtorno-bipolar.html)
O humor instável e sem motivo aparente pode representar muito mais do que estresse ou depressão. Pessoas que apresentam variações frequentes e exageradas entre euforia e ansiedade ou tristeza, podem estar sofrendo de bipolaridade. Apesar de pouco conhecido, o transtorno atinge cerca de 10% da população.

Segundo o psiquiatra e coordenador do Ambulatório de Bipolaridade do Hospital São Lucas da PUCRS, Diogo Lara, as mudanças de humor são fundamentais ao ser humano pois servem como um sistema de adaptação ao meio ambiente. É resposta previsível e estável a algum estímulo que a pessoa sofra.

— O humor saudável ajuda a gente se adequar ao contexto. Se a pessoa tem transtorno, ela dança fora do ritmo. Ela tem um humor desregulado e desconectado do contexto — explica o especialista.

O transtorno bipolar faz com que o paciente reaja de forma inesperada e intensa a alguns estímulos. E isso é o que difere a doença de outros problemas pontuais, segundo o médico. Estas atitudes exageradas de quem sofre do transtorno podem levar a situações vergonhosas ou até arriscadas.

— No aspecto eufórico existe essa inflação, tudo é grande, intenso, especial. Assim como um torcedor pode extrapolar a emoção comemorando a vitória de um título.

Principais características do transtorno:

:: autonomia do humor: o paciente sofre variações de humor que não estão adequados ao momento em que vive ou ao estímulo que sofre;

:: instabilidade: picos de euforia podem alternar com tristeza e ansiedade ou medo;

:: excessos: o paciente extrapola as emoções e pode ter excessos comportamentais como vício em jogos, drogas, sexo, compras;

:: exposição: pessoas bipolares acabam se expondo a riscos ou situações desagradáveis;

:: impulsividade: é comum em pessoas que sofrem da doença agir por impulso.

Aspectos que diferem da depressão

Quando um bipolar está com o humor em baixa, é comum apresentar sintomas de depressão como a falta de vontade de fazer as coisas. Porém, quando alguém sofre de depressão, não apresenta forte euforia, impulsividade e irritabilidade, apenas tensão, ansiedade e tristeza.

— Algumas pessoas confundem, pois a ansiedade e a tensão são os sentimentos mais comuns ao longo da vida de pacientes que sofrem de transtorno bipolar — afirma Lara.

O psiquiatra alerta também que a bipolaridade pode se manifestar depois de muitos anos e não só com mudanças bruscas de humor, que podem ocorrer em um mesmo dia. Somente a avaliação de um profissional especializado pode diagnosticar o problema.

— Essa bipolaridade muitas vezes não é identificada de forma correta, e o tratamento com anti depressivos induz uma virada de humor, para o lado da euforia — explica o psiquiatra.

Como é feito o diagnóstico?

:: A avaliação clínica é feita com o paciente e um familiar.

:: Alguns indicadores: temperamento mais forte ou dinâmico, excessos comportamentais, irritabilidade e histórico na família de excessos ou transtorno bipolar.

Tratamento

:: Medicamentos estabilizadores de humor.

:: Psicoterapia e reeducação de hábitos como exercícios físicos e rotinas pré-definidas para regular o comportamento.

Teste psiquiátrico gratuito on line:

Lara é coordenador de um projeto de pesquisa científica que capta dados sobre comportamento por meio do website www.temperamento.com.br. O sistema de avaliação mental é dividido em duas fases: psicológica e psiquiátrica. Um dos objetivos, é avaliar sintomas e transtornos psiquiátricos que que a população pode ter.

Ao final do teste o participante recebe os resultados do seu perfil de temperamento e a probabilidade de estar com algum transtorno psiquiátrico. Desde dezembro no ar, o site já coletou informações sobre mais de 40 mil pessoas. O teste é anônimo e gratuito.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Transtorno bipolar virou diagnóstico desejável, diz pesquisador

Uma dupla de psiquiatras britânicos alertou para um novo fenômeno: o fato de que muitas pessoas estão se autodiagnosticando com transtorno bipolar ou pedindo para que médicos façam esse diagnóstico.

Segundo os psiquiatras Diana Chan e Lester Sireling, do hospital St. Ann, em Londres, o fenômeno se deve ao aumento da conscientização pública em relação à condição e ao fato de que várias celebridades no país estão falando abertamente sobre serem bipolares.

Isso, segundo eles, tem feito com que o transtorno seja mais aceitável e tenha menos estigma. Os psiquiatras disseram ainda que os pacientes podem ainda estar buscando um status social mais alto, já que a condição costuma ser associada a pessoas criativas como o ator britânico Stephen Fry, que vem discutindo abertamente seu diagnóstico.

Desde que o ator veio a público para falar sobre sua condição, psiquiatras britânicos vem recebendo mais pacientes que dizem ser bipolares, segundo Chan.

Desafios
"Uma pessoa que veio a nós tendo se diagnosticado como bipolar havia sido tratada antes com depressão", disse. "Ela também estava usando álcool e drogas ilícitas para controlar suas "variações de humor" e havia relatado comportamento vergonhoso e instável", disse a psiquiatra. A paciente acabou sendo diagnosticada com o transtorno bipolar.

Segundo a psiquiatra, ser bipolar virou um diagnóstico visto como desejável, o que deve aumentar ainda mais o número de pessoas chegando ao consultório com este autodiagnóstico. Isso traz uma série de desafios aos médicos.

"É importante que os psiquiatras façam esse diagnóstico quando válido", disse Chan. "Mas, por outro lado é igualmente essencial ajudar as pessoas que desejam esse diagnóstico a entender que ter ''variações de humor'' e comportamentos caóticos ou instáveis não significa necessariamente que estejam sofrendo de transtorno bipolar."

O transtorno bipolar é uma condição mental que se manifesta com episódios de instabilidade de humor, alternando entre o "alto" (comportamento maníaco) e o "baixo" (depressão). A condição pode atrapalhar os relacionamentos, trabalho e interações sociais dos pacientes.

(FONTE: site:TERRA.COM.BR, 16 de junho de 2010 • 12h17)