terça-feira, 20 de maio de 2008

O pêndulo do humor

Psiquiatra diz que transtorno bipolar é diagnosticado freqüentemente como hiperatividade ou depressão – com conseqüências graves (Fonte: site http://www.globo.com/ - Revista Época)

Oscilar entre alegria e tristeza, euforia e depressão, sem motivo ou de forma exagerada, pode ser doença. É o chamado transtorno bipolar, que, descobriu-se recentemente, atinge 10% da população mundial. Nos pacientes mais graves, há 15% de suicídios, especialmente nos casos de diagnóstico errado - o que ocorre com freqüência, já que a bipolaridade é comumente confundida com a depressão. O uso de antidepressivos piora o lado agitado e hiperativo dos pacientes bipolares. Metade deles acaba abusando do álcool ou de outras drogas. 'Hoje, passa-se em média por três médicos até chegar ao diagnóstico correto', diz o psiquiatra gaúcho Diogo Lara, que acaba de lançar o livro Temperamento Forte e Bipolaridade, no qual explica de que forma o distúrbio se manifesta e como pode ser controlado, além de dar exemplos de personalidades bipolares, como Cazuza e Elis Regina.
Entrevista com Diogo Lara (Psiquiatra, doutor em Neurociências, pesquisador do CNPq e professor de Bioquímica da PUC-RS) :

ÉPOCA - Quais são os sintomas gerais do distúrbio bipolar?
Diogo Lara - Oscilação de humor, fora de sintonia com o que está de fato acontecendo. Os bipolares podem estar alegres, irritados ou energéticos demais sem motivo, assim como no momento seguinte podem ficar ansiosos, deprimidos ou apáticos. É uma epidemia mundial, mas as pessoas ainda não a reconhecem.

ÉPOCA - Trata-se de um distúrbio químico ou de comportamento?
Lara - Ambos. O comportamento é muito influenciado por alterações químicas no cérebro de quem tem altos e baixos no humor. Por outro lado, comportamentos extremos também podem alterar a química do cérebro.

ÉPOCA - Como se descobre que alguém é bipolar?
Lara - Quem percebe melhor são as pessoas em volta. Como regra, quem tem bipolaridade busca ajuda quando sente o lado depressivo: desânimo, ansiedade, irritação, impulsividade ou desconcentração. Por isso, a bipolaridade acaba sendo diagnosticada como déficit de atenção e hiperatividade.

ÉPOCA - Crianças hiperativas podem ser na verdade bipolares?
Lara - Cerca de um terço das diagnosticadas com hiperatividade é bipolar. É preciso prestar atenção a crianças intolerantes, que manifestam pressa para tudo e são agressivas. À noite estão sempre no auge da energia e, de manhã, devagar. Mas ao mesmo tempo são criativas, intuitivas.

ÉPOCA - Há níveis da doença?
Lara - Sim. O nível mais grave é o da mania plena ou bipolaridade do tipo I, em que os excessos de humor podem levar a sérias conseqüências. Nessas situações pode ser melhor fazer uma internação psiquiátrica. O importante é frisar que hoje se reconhecem quadros mais tênues de altos e baixos de humor, que chamamos de bipolaridade leve ou humor instável. Pelo menos metade das pessoas que acham que têm depressão pura ou DDA hoje tem, na verdade, bipolaridade. Muitos bipolares leves passam a consumir mais bebidas alcoólicas para baixar a turbulência, principalmente depois dos 40 anos.

ÉPOCA - Quais são os perigos de tratar apenas um dos pólos?
Lara - Antidepressivos e psicoestimulantes elevam demais o humor ou perdem o efeito em poucos meses, além de aumentar a irritação e a ansiedade. De 10% a 15% dos que têm tratamento inadequado tentam o suicídio, de forma mais impulsiva do que planejada.

ÉPOCA - A doença é hereditária?
Lara - Sim, a contribuição genética é de pelo menos 50%.

ÉPOCA - Em seu livro, personalidades como Cazuza e Elis Regina são citadas como típicas do comportamento bipolar. É assim tão evidente?
Lara - Os temperamentos fortes e a bipolaridade, principalmente nas formas leves, são muito comuns em artistas. Letras de Cazuza, como as de 'Pro Dia Nascer Feliz', 'Eu Ando Tão Down' e 'Exagerado', mostram o universo de humores que bipolares sentem. Elis Regina tinha o apelido de Pimentinha, trocava constantemente de visual e morreu por um desses excessos. O humor de ambos certamente era bem mais instável do que o da maioria das pessoas.

ÉPOCA - Qual é o tratamento adequado para quem tem bipolaridade?
Lara - A meta é harmonizar o humor preservando o brilho do temperamento. Isso se consegue com bons hábitos de vida, psicoterapias e remédios estabilizadores do humor, como a lamotrigina, a quetiapina e o lítio. Os medicamentos são eficazes e com poucos efeitos colaterais. Ao contrário do que muitos pensam, o tratamento correto com medicamentos deixa essas pessoas mais produtivas e satisfeitas.

ÉPOCA - Há um lado positivo da bipolaridade?
Lara - O temperamento bipolar pode favorecer a ousadia, a curiosidade, a inovação, a sexualidade. Muitas pessoas de projeção têm essas características, e justamente por elas fazem sucesso.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Entrevista com a psiquiatra especialista em Transtorno Bipolar

MUITO BOM! Veja o vídeo sobre Transtorno Bipolar com a Dra. Doris Moreno, médica psiquiatra especialista em Transtorno Bipolar. (Fonte: site da ABP Comunidade)

http://www.abpbrasil.org.br/comunidade/projeto/arquivos2007/palestra02.html

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O abuso de álcool e de drogas é muito comum em pessoas com transtorno bipolar...

O abuso de álcool e de drogas é muito comum em pessoas com Bipolaridade, então achei importante colocar esse vídeo com a reportagem do Dr. João Carlos Dias, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria, sobre Dependência Química.

http://www.abpcomunidade.org.br/abp_tv/bem_estar/arquivos/drjoao.html

Mente Inquieta...

“A doença maníaco-depressiva distorce humores e pensamentos, provoca comportamentos terríveis, destrói a base do pensamento racional e com grande freqüência mina o desejo e a vontade de viver. Esta é uma doença que é biológica em sua origem, porém tem uma característica psicológica em sua vivência; uma doença que é singular por conferir vantagens e prazer, trazendo porém em seu rastro um sofrimento quase que insuportável e, não raro, suicídio.”

“Sou afortunada por não ter morrido da minha doença, afortunada por ter recebido os melhores cuidados médicos disponíveis e afortunada por ter os amigos, colegas e familiares que eu tenho.”
Kay Redfield Jamison, Ph.D., An Unquiet Mind (Mente Inquieta), 1995, pg. 56. (Reimpresso com permissão de Alfred A. Knopf, uma divisão da Random House, Inc.)

Suicídio

Se você parar para pensar, certamente já escutou alguém falar que "fulano de tal tentou suicídio" ou pior "ele cometeu suicídio".

Há 5 anos que venho estudando sobre a Bipolaridade e durante esses anos constatei que o suicídio ocorre com muita freqüência.

Tentando então diminuir essa incidência a Associação Brasileira de Psiquiatria classifica alguns sintomas que acompanham sentimentos suicidas. Seguem os sinais e sintomas:
- falar sobre se sentir suicida ou querer morrer
- sentir-se desesperado, dizendo que nada vai mudar ou melhorar
- sentir-se impotente, dizendo que nada que alguém faça faz diferença
- sentir-se uma carga para familiares e amigos
- abusar de álcool ou drogas
- colocar os negócios em ordem (p. ex., organizar as finanças ou dar pertences para se preparar para a própria morte)
- escrever um bilhete de suicídio
- colocar-se em perigo ou em situações em que haja risco de ser morto.

Algumas pessoas com Bipolaridade se tornam suicidas. Qualquer pessoa que fale em suicídio deve ser levada a sério.

O risco de suicídio parece ser mais alto ao início da evolução da doença. Por esta razão, econhecer o transtorno bipolar logo no início e aprender sobre a doença é o melhor meio para diminuir o risco de morte por suicídio. Enquanto algumas tentativas de suicídio são cuidadosamente planejadas ao longo do tempo, outras são atos impulsivos que não foram bem planejados. De qualquer modo, é importante que se compreenda que sentimentos e atos de suicídio são sintomas de uma doença que pode ser tratada.

Os sentimentos suicidas podem ser superados por um tratamento apropriado. Se você estiver se sentindo suicida ou conhecer alguém que esteja, por favor:
- chame um médico, um serviço de emergência, ou ligue para 190 imediatamente para obter ajuda logo
- certifique-se de que você, ou a pessoa suicida, não fique sozinho
- certifique-se de que não haja acesso a uma grande quantidade de medicação ou arma

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Pesquisa com MULHERES GRÁVIDAS BIPOLARES

Pesquisando pelo site da American Psychiatric Association, encontrei essa pesquisa sobre “O risco da recorrência da bipolaridade em mulheres grávidas que interrompem a medicação".

A pesquisa foi feita pelo Dr. Adele C. Viguera e seus colegas da Harvard Medical School e Emory University. Assuntos como: parar com a medicação para proteger o feto e o risco da recorrência das crises devido a falta de medicação foram analisados nessa pesquisa.


Pregnant Women at Risk of Bipolar Recurrence with Interruption of Medication

AJP Study Underscores the Value of Mood-Stabilizer Medications in Risk/Benefit Equation

Arlington, Va. (Dec. 1, 2007) — Women with bipolar disorder who stop taking their medication – such as lithium, antipsychotics and anticonvulsants prescribed as mood stabilizers – before or shortly after becoming pregnant appear to be much more likely to suffer a recurrence of the disorder, according to a study reported in the December issue of The American Journal of Psychiatry (AJP), the official journal of the American Psychiatric Association (APA).

In the prospective study of 89 pregnant women with bipolar disorder, Adele C. Viguera, M.D., and colleagues at Harvard Medical School and Emory University found that 85 percent of the 62 women they studied who stopped their mood stabilizer medication—up to six months prior to becoming pregnant or in the first 12 weeks of pregnancy—experienced a recurrence of the disorder. In comparison, only 37 percent of the 27 women who continued taking their medication through at least week 12 of pregnancy experienced a recurrence. In addition, Viguera and her colleagues report in “Recurrence Risk in Women With Bipolar Disorder During Pregnancy: Prospective Study of Mood- Stabilizer Discontinuation” that abrupt discontinuation of medication greatly increased and hastened the recurrence, confirming earlier observations by the same researchers.

The majority of the women studied were taking lithium as a mood stabilizer (55 of the 89, or 62 percent) followed in frequency of use by an anticonvulsant mood stabilizer (32/89; 36 percent) or an antipsychotic mood stabilizer (24/89; 27 percent). About half of the women in this study were also taking an antidepressant medication.

Recurrences most often took the form of a depressive or mixed episode (experiencing both symptoms of depression and mania), and most of the recurrences began within the first trimester of pregnancy. Of note, in this study it appears that antidepressant treatment did not affect the risk of recurrence.

“Women and their doctors face difficult decisions in pregnancy, because both the illness and the treatment can potentially harm the fetus,” said Robert Freedman, M.D., AJP editor in chief. “Accurate data on the risk of discontinuing treatment for bipolar disorder during pregnancy is part of the evidence that is needed to make the best possible decision for each woman and her baby,”

The episodes of recurring illness spanned on average more than 40 percent of the duration of pregnancy for those women who discontinued mood stabilizer medication, but only 9 percent of the duration of pregnancy for women who continued to take medication. Those whose mood stabilizer was discontinued abruptly (over a period of two weeks or less) had a median time to recurrence of two weeks, compared to 22 weeks for women whose medication was more gradually tapered and stopped.

In designing this study, Dr. Viguera and her colleagues incorporated several improvements over methods used in earlier studies. Previous studies were limited by small size, restricted subject pools and/or the use of retrospective assessments. The current findings are consistent with many previous reports that indicated pregnancy is a period of substantial risk for recurrence of bipolar disorder. The current findings do not support suggestions in previous studies that pregnancy exerts a favorable effect on the illness and therefore limits the risk of recurrence during pregnancy.

Recently the public’s focus has been on the possible adverse effects mood stabilizing medications may have on fetal development. As a result, many women (including 70 percent of those in this study) stop taking mood stabilizers before trying to become pregnant. The authors propose that treatment planning for pregnant women with bipolar disorder include consideration of the high recurrence risk associated with discontinuation of mood stabilizer medication.

“These findings have important clinical implications for the overall risk/benefit assessment in managing bipolar disorder during pregnancy,” said lead author Adele Viguera, M.D., now at the Cleveland Clinic. “Patients should be informed not only that there is a significant risk for recurrence associated with stopping treatment, but also that this risk appears to be greatest early on in pregnancy and especially, following abrupt discontinuation. Moreover, stopping treatment is associated with a longer duration of maternal illness during pregnancy compared to remaining on treatment. Therefore, it is critical for patients with bipolar disorder who are pregnant or planning pregnancy to be informed of the magnitude of these risks in order for them to weigh these risks along with risks associated with fetal exposure to medications.”

The study was supported in part by the National Institute of Mental Health, NARSAD, the Stanley Medical Research Institute, the Bruce J. Anderson Foundation, and the McLean Private Donors Psychopharmacology Research Fund. Additional financial disclosures appear at the end of the article.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

As pessoas com transtorno bipolar precisam de MUITA AJUDA

Muitas vezes as pessoas com transtorno bipolar não percebem quão alteradas estão ou colocam a culpa de seus problemas em outra causa que não a doença mental.

Uma pessoa com transtorno bipolar pode necessitar de um grande encorajamento de familiares e amigos para procurar tratamento. Os médicos de família podem desempenhar um papel importante na provisão de encaminhamento a um profissional de saúde mental.

Por vezes um familiar ou amigo pode ter de levar a pessoa com transtorno bipolar para uma avaliação de saúde mental e tratamento apropriados.

Uma pessoa que esteja no meio de um episódio grave pode ter de ser hospitalizada para sua própria proteção e para o tratamento muito necessário. Podem haver ocasiões em que a pessoa tenha de ser hospitalizada contra sua vontade.

Encorajamento e apoio constantes são necessários depois que a pessoa obtém tratamento, porque pode levar algum tempo para se encontrar o melhor plano de tratamento para cada indivíduo.

Em alguns casos, os indivíduos com transtorno bipolar podem concordar, quando seu caso esta sob controle, com uma estratégia preferencial para o caso de uma futura recidiva maníaca ou depressiva.

Assim com outras doenças graves, o transtorno bipolar é difícil para cônjuges, membros da família, amigos e empregadores.

Os membros da família de uma pessoa com transtorno bipolar têm com freqüência de lidar com os graves problemas de comportamento da pessoa, como folias de gastos durante a mania ou um retraimento extremo em relação as outras pessoas durante a depressão, e as conseqüências duradouras desses comportamentos. (fonte: ABP Comunidade)

Como pacientes com bipolaridade e seus familiares podem obter ajuda?

Qualquer pessoa portadora do transtorno bipolar deve estar aos cuidados de um psiquiatra com experiência no diagnóstico e tratamento dessa doença. Outros profissionais de saúde mental, como psicólogos, assistentes sociais psiquiátricos e enfermeiros psiquiátricos, podem ajudar a proporcionar à pessoa e sua família abordagens adicionais ao tratamento.

Pode-se obter ajuda em:
- Programas filiados a universidades ou escolas de medicina
- Serviços de psiquiatria de hospitais
- Consultórios e clínicas particulares de psiquiatria
- Organizações para a manutenção da saúde, ONGs
- Consultórios de médicos de família, internistas e pediatras
- Centros públicos de saúde mental comunitária
(fonte: ABP Comunidade)

sexta-feira, 2 de maio de 2008

BIPOLARES FAMOSOS

Inúmeras pesquisas apontam que a bipolaridade está bem mais presente entre artistas do que em outras profissões. Isso porque os bipolares normalmente apresentam as seguintes características: espírito inovador, alta criatividade, emocionalmente intenso, altamente observador, curiosidade e empreendedor.

A seguir alguns Bipolares famosos:

Poesia:
- Fernando Pessoa
- T. S. Eliot
- Walt Whitman


Literatura:
- Agatha Christie
- Virginia Woolf
- Ernest Hemingway
- Edgar Allan Poe
- Graham Greene
- Hans Christian Andersen.

Música - no Rock:
- Cazuza
- Axl Rose (vocalista do Guns n' Roses)
- Kurt Cobain (ex-vocalista do Nirvana)
- Elvis Presley
- Janis Joplin
- Jimmy Hendrix

Música - no jazz
- Thelonius Monk (pianista)

Música - erudita
- Tchaikosvky
- Mozart
- Maria Callas

Cinema:
- Robin Williams
- Jim Carrey
- Marilyn Monroe
- Elizabeth Taylor

Artes plásticas:
- Paul Gauguin
- Vincent van Gogh

Filosofia e ciência:
- Platão
- Isaac Newton

Política:
- Winston Churchill
- Abraham Lincoln
- Ulysses Guimarães.

(Fonte: livro Temperamento Forte e Bipolaridade de Diogo Lara)