segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Tirar doentes das instituições exige cuidado

Patt Franciosi, da Federação Mundial de Saúde Mental, assume luta pela igualdade entre doença mental e física (Fonte: Jornal de Notícias Seção: Sociedade Data: 07/09/2008)
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Tirar pessoas com doença mental dos hospitais e integrá-los na comunidade é o caminho certo. Mas tem que ser cuidadoso para não resultar em abandono. "Só funciona se os serviços comunitários estiverem preparados para isso". Patt Franciosi é a mentora do Dia Mundial de Saúde Mental, que se assinala a 10 de Outubro. Americana, não tem papas na língua. E insta Portugal - que prepara uma nova abordagem da doença mental centrada na comunidade - a "olhar atentamente para o exemplo de outro países". A começar pelo dela."Os EUA iniciaram o programa de desinstitucionalização de pessoas com doença mental nos anos 1970. Na altura, prometeu-se que o dinheiro gasto nos hospitais iria para os serviços na comunidade. Isso não aconteceu. E ficámos com o sério problema dos sem-abrigo com doença mental, a dormir nas ruas, a acabar presos". E, para lá de dinheiro, são precisos técnicos. Mas, antes disso, é preciso que os governos olhem a saúde mental como olham a saúde física.A vice-presidente da Federação Mundial da Saúde Mental passou recentemente por Portugal, para ver com os próprios olhos o trabalho de uma associação - a Encontrar-se - que tem lutado contra o estigma e a discriminação de que são alvo as pessoas com doença mental. E que são o maior obstáculo à descoberta dos apoios de que necessitam.
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Fazer do tema uma "prioridade através da ação cívica" é justamente o lema do Dia Mundial da Saúde Mental. E Patt Franciosi explica muito sucintamente porquê: calcula-se que uma em cada quatro pessoas no Mundo sofra, em algum momento da vida, de alguma perturbação mental. E a depressão é já a sexta causa de incapacidade no planeta. "Em 2020, será a segunda".
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A necessidade de os governos olharem para estes problemas - que redundam em perda de produtividade e em isolamento social - e alocarem recursos é a mensagem de Patt Franciosi, segundo a qual o investimento público continua "muito pequeno face às necessidades". Porque se há doentes graves, há pessoas que, "com cuidados adequados e tratamento, conseguem recuperar dos sintomas" e reconquistar "padrões normais de qualidade de vida". Pessoas que sofrem de depressão, bipolaridade, esquizofrenia, perturbações de ansiedade."Só quando a saúde mental for tratada da mesma forma que a saúde física saberemos que atingimos o nosso objetivo". E isso implica tratamento e cuidados continuados. Como quando se parte uma perna e se segue para a fisioterapia. E se os EUA são um mau exemplo, por terem tudo nas mãos de seguros de saúde que se furtam a cobrir a doença mental, os países escandinavos, diz, são casos a seguir. Portugal, diz a dirigente, "pode ser um modelo. Porque é um país pequeno, homogêneo, onde é fácil implementar o plano de cuidados de saúde mental certo". "Sem psicólogos e psicoterapeutas no SNS, pergunto como vamos caminhar para cuidados na comunidade". É Filipa Palha, presidente da Encontrar-se, que intervém. Psicóloga clínica, lembra que 30% dos portugueses sofrem de perturbações psiquiátricas - 12% são casos graves - e alerta para o fato de a psicoterapia dever obrigatoriamente acompanhar a farmacologia nos tratamentos: "É urgente criar serviços para responder às necessidades desde o princípio". "Dar só medicação é pôr um penso rápido numa ferida ainda infectada", ilustraria Patt Franciosi.
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No que toca à progressiva extinção de hospitais psiquiátricos, Patt Franciosi alerta para a desumanidade de tirar gente de sítios que foram a sua casa ao longo de décadas."Precisam de continuidade no tratamento e de proteção". Uma análise deve ser feita caso a caso, porque alguns poderão mesmo não ter condições para ser desinstitucionalizados, alerta.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Conflito de emoções sem que haja motivo aparente é um aviso de que alguma coisa está errada

Uma insignificante contrariedade provoca uma explosão e minutos após, o arrependimento, da gargalhada à lágrima num piscar de olhos. O descontrole emocional provoca nos relacionamentos uma acidez que se faz sentir ao longo do tempo. À margem da normalidade, os dias se confundem a um ciclone de anseios equivocados.
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Os sintomas: na gangorra, sentados um em cada ponta da prancha, o ‘sim’ e o ‘não’ brincam com o humor feito duas crianças peraltas. A euforia sobe e o medo desce; a depressão chega e o entusiasmo despenca, o pânico vai pro alto e derruba a coragem. Nesse sobe-desce biruta, os sentimentos se embaralham e transtornam o cérebro podendo levá-lo à psicose. O conflito de emoções sem que haja motivo aparente é um aviso de que alguma coisa está errada. Apesar de vivermos num mundo altamente competitivo, conflitante e ameaçador, existem mecanismos dentro de cada um que funcionam como amortecedores e compensadores da insegurança e contrariedades provadas diariamente. A indignação, a raiva momentânea ou uma explosão de alegria, devem caber dentro dos limites da racionalidade, o que exceder a isso é neurose e precisa ser tratada sem tentar justificativas, que somente acentuarão o problema.
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O subconsciente: a psiquiatria tem achado verdadeiros tesouros arqueológicos ao “escavar” a mente humana, o inconsciente que parecia dormir, está mais acordado do que nunca, e inesperadamente desperta assumindo a direção do humor. Sem explicações, o indivíduo adota uma personalidade até então oculta, mas que na verdade são impulsos castrados, reprimidos e massacrados, que foram fermentando no decorrer do tempo nesta caverna misteriosa chamada cérebro. Ainda no útero o feto capta as vibrações do ambiente externo pelos estímulos materno e as absorvem. As células carregam nossa história, um ressentimento longínquo pode se manifestar décadas depois, justificando a herança genética. Um trauma, mesmo que pareça superado é o gatilho que dispara e abate a pessoa que, conforme dito, repentinamente muda a personalidade. O temperamento “pavio-curto” e o estresse, quando prolongado, enfraquecem o sistema nervoso, pré-dispondo à bipolaridade compulsiva do humor que é uma patologia, e como tal, precisa de tratamento, do contrário, a insanidade pode ser o próximo passo.
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(fonte: Última Hora News Seção: Artigos Cinetíficos Data: 23/09/2008)